A EXPULSÃO DE MATERAZZI

Ficou faltando a expulsão de Materazzi. A imagem mostrou o encontrão entre Zidane e Materazzi em uma jogada de ataque da França - em um jogo de ataque contra defesa. Os dois trocam palavras... ou palavrões. Zidane se afasta e Materazzi continua gritando em sua direção. Zidane se afasta um pouco mais e Materazzi insiste em gritar em sua direção. De repente, Zizou se vira e volta na direção do adversário também dizendo coisas. E a absurda cabeçada acontece. Ao final do imbróglio, Zidane é expulso e Materazzi fica em campo, tratado como vítima pela torcida italiana e pelos comentaristas globais. Zidane sai execrado, vaiado, numa das maiores injustiças a que já assisti.
1) Zidane foi expulso por conta de confirmação do bandeirinha que, segundo a imprensa internacional, recebeu a informação do árbitro reserva que viu a cena em um aparelho de tevê. Ora, a Fifa proíbe o uso da imagem para decisão do árbitro. Portanto, a expulsão foi ilegal.
2) A agressão física em campo de bola resulta, quase sempre, de situações inevitáveis de jogo. A agressão moral, não. A ofensa moral parte de recônditos da alma, de características particulares do sujeito, jamais de uma situação ou por conta de estratégia de jogo. Não pode ser valorada. Foi o que fizeram em relação a Materazzi - o pobre comentarista da Globo, Bighouse, disse que Materazzi "conseguiu a expulsão de Zidane", como se fosse uma grandiosa, correta e legítima atitude, a do italiano, em ofender moralmente o francês.
3) Zidane não agiu de moto próprio, foi provocado. Zidane reagiu. E não se diga placidamente que o craque francês "perdeu a cabeça". Tenho pra mim que Zidane reagiu a uma ofensa moral das cabeludas.
4) Materazzi recusou-se a falar do assunto. Confessou, assim, sua culpa no episódio.
5) Zidane ainda não falou sobre o que aconteceu. Se não falar, ratificará de forma magistral sua condição de gentil-homem.
Materazzi teria que ser expulso junto com Zidane. Considero a ofensa moral mil vezes mais grave que uma cabeçada ou pontapé acima dos metatarsos.
O resultado final foi uma vitória pífia, sem demonstração de superioridade, com ares de duvidoso, um golpe de sorte, mais uma das injustiças do futebol. Mas é só o que penso.
Faltou dizer que mantive meu padrão de 100 por cento de erros: Alemanha e Itália venceram.
E fica a pergunta que não quer se calar: por onde anda Tom Correia?
Meu caro:
não é só você que é ruim de palpite; eu também não acertei uma sequer...
achei a final um anti-clímax e sinceramente cheguei à conclusão de que o futebol-arte é uma merda. De nada adianta os grandes jogadores insistirem em técnica apurada pois sempre quem levanta a taça no final são os brucutus de plantão. A destruição (de jogadas, de dribles, de lançamentos)sempre prevalecerá.
Sonhei com Zidane sendo justamente homenageado com o bi-campeonato, mas o que prevaleceu foi o "unfair play" de Materazzi, como se inspirado pela velha catimba sul-americana.
O Zizou merecia um final feliz por tudo que fez pela arte de jogar bola. Foi uma pena, essa saída de cabeça baixa.
Até 2010 e que vença o pior, como sempre...
A Itália passou a maior parte do tempo encolhidinha, esperando pelo pior que poderia ter vindo daquela cabeçada de Zidane defendida pelo excelente Buffon. No final, o medo, a incapacidade de ser arrojado e a delação premiada do goleiro italiano, foram elevados ao Olimpo.
Futebol-arte é mesmo uma merda. Que o diga, em especial, as Copas de 50, 54, 74 e 82...
É isso.