Monday, May 29, 2006

BOTOU NO COLO, TEM QUE BALANÇAR


Pro Brasil inteiro, Colo-Colo é um time chileno. Era. Agora é o time campeão baiano de 2006. Nosso Colo-Colo é de Ilhéus, terra de Gabriela, aquela. Mais uma vez, a história dos 2 x 0 se repetiu. E mais uma vez, o Vitória caiu de quatro diante do Colo-Colo. O tom elogioso esbarra aqui. Não vejo uma carreira brilhante para o Colo-Colo: venderá seus principais jogadores, desmontará a equipe campeã e até voltar a ter um bom time (se voltar), amargará situações difíceis na série C e na Copa do Brasil. O dinheiro falará mais alto, como sempre, e o título se tornará apenas uma placa no estádio de Ilhéus. E um troféu na estante. Não consigo ver nisso uma evolução do futebol interiorano, com todo respeito à opinião do Mayrant. É decadência dos grandes clubes, simplesmente. Mesmo porque nos últimos dois anos só se falava na Laranja Mecânica, o Ipitanga, a sensação do futebol baiano etc. Quem ouve falar agora do Ipitanga? Lembro que o Atlético de Alagoinhas e a Catuense tiveram excelentes equipes nos anos 70 e 80, revelando bons jogadores que atuaram depois em equipes do sul (Bobô e Merica, p.e.), sem serem campeões estaduais. E futebol se faz com grandes jogadores, não com resultados esporádicos.

"Nosso futebol precisa mudar." Errado. Nosso futebol precisa continuar como o melhor do mundo. É preciso mudar, sim, os dirigentes do nosso futebol, os juízes do nosso futebol, os comentaristas do nosso futebol e algumas regras estúpidas e anacrônicas do velho esporte. Começo hoje a apresentar algumas sugestões:
1) Substituição para jogador expulso. A expulsão não pode significar desequilíbrio numérico entre as equipes nem prejuízo estético ao espetáculo. A expulsão de um jogador, qualquer que seja a razão, não pode representar vantagem numérica para a equipe adversária. Como em muitos outros esportes, a expulsão deve prejudicar diretamente o atleta e qualitativamente a equipe. Mas a expulsão não pode representar a vitória antecipada da outra equipe, embora as lendas do futebol garantam que uma equipe com um jogador a menos renda mais e possa até vencer, como de fato observamos vez em quando. Tomando como exemplo a final da Liga dos Campeões da Europa, a expulsão do goleiro do Arsenal no primeiro tempo da partida definiu previamente o campeão, a despeito de o Arsenal abrir o placar com um jogador a menos. Ou seja, a expulsão do jogador deve significar para a partida apenas sua substituição obrigatória e a conseqüente baixa de rendimento de sua equipe, mas não uma disputa desigual. Assim, o espetáculo fica diminuído.

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