Saturday, September 23, 2006

Antônio e o Flu

Nunca gostei do Antônio Lopes, o técnico. Posso dizer isso porque não sou ninguém. Ninguém me conhece e Lopes, que tem um sobrenome igual ao meu, nem vai se dar conta dessas linhas aqui. Não vai ficar aborrecido, o que muito me alegra. Mas não gosto do estilo dele, exaltado pela imprensa como o Delegado. Foi campeão no ano passado sem mérito, naquela confusão mal explicada do escândalo da arbitragem. Citando de memória, acho que ele passou depois pelo Atlético Paranaense, depois pelo Goiás. Não deixou saudades. O Lopes é um daqueles técnicos que rodam, rodam e volta e meia retornam ao clube que é a sua cara. Uma simbiose que nasce de várias combinações. Empatia com os cartolas; títulos de expressão (nem sempre); série de vitórias consecutivas; durabilidade no cargo.

É como o Candinho que a gente associa logo à Lusa, coitada, firme e forte rumo à série C. Ou ainda o Picerni ao São Caetano. Felipão ao Grêmio. Telê ao São Paulo. Joel Santana a... a... um monte de times. Aliás, por onde anda sua pranchetinha midiática?

O Fluminense, do meu caro amigo Gallo, está praticando esporte radical: queda livre. Lopes não tem culpa, pegou o bonde descarrilando. Lenny sumiu, Pet idem; Marcelo, a revelação, deve ir embora logo apesar da pouca idade. Senão, adeus Seleção. De sério candidato ao título, se aproxima rápido do inferno. Mas pelas atuações, Lopes não ficará marcado como o técnico que destruiu o Flu. Cai antes e em 2007, já sabem. São Januário deverá aguardá-lo de braços abertos.
Meu amigo Carlos que vá se preparando.

p.s. o De Trivela estava tão jogado às traças pelos seus "mantenedores" que até esqueci a senha... um estranho caso de rebaixamento...

Thursday, August 17, 2006

Presságios



Durante a semana que antecedeu a grande final, algumas coisas extrasensoriais rondaram o CT do Morumbi. Primeiro, o quarto goleiro do time, o garoto Everson, de 19 anos, morre num acidente de carro estúpido (todo acidente de carro é estúpido). Um outro atleta, em decorrência do mesmo acidente, corre o risco de ficar tetraplégico. No jogo contra o Goiás, Rogério dá o primeiro sinal de que sua cabeça não anda boa após a morte do amigo: falhou num cruzamento que redundou no gol do adversário. Mas tudo bem até ali, o São Paulo venceu e ninguém comentou. A novela Ricardo Oliveira teve fim melodramático. O Betis cedeu, bateu pé firme e não permitiu que o atacante jogasse. Se isso interferiu ou não no resultado final, jamais saberemos.
O que se sabe é que o Inter é uma muralha. E, como tal, ficou na boa só rebatendo as bolas aéreas e aleatórias do São Paulo, que simplesmente não conseguiu tocar a bola como costuma fazer. Se, nos primeiros seis minutos, o tricolor conseguisse aproveitar os três vacilos do colorado, o jogo seria ainda melhor. Seria possível?
Foram duas partidas incríveis em que tudo poderia acontecer. A arbitragem foi de cirúrgica precisão e as torcidas não se enfrentaram até a morte.
Tinga marcou o gol do título e deveria ter sido campeão a partir daquele jogo contra o Corínthians no ano passado. A expulsão aconteceu de novo, mas agora ele pôde sorrir. Abel, emocionado, nos emocionou. Murici, caiu de pé, uma queda para o alto: ainda resta o Brasileiro. Clemer foi fantástico e Bolívar um General de Pedra: quase intransponível num duelo leal e brigado com Aloísio. E Rogério falhou quando não podia, confirmando os maus presságios anteriores. Se estava escrito sua falha, cumpriu-se a profecia.
Foi uma final de ouro e que me fez lembrar o meu nobre amigo Carlos Barbosa, defensor ferrenho dos pontos corridos.
Fiquei imaginando como seria uma Libertadores disputada desse modo. Certamente não teria nem 20 por cento da emoção do velho e bom mata-mata.
O Campeonato Brasileiro deveria ser uma mescla. Campeão do 1º turno X Campeão do 2º turno se enfrentariam em ida e volta. A melhor campanha seria critério de desempate. Se houvesse a mesma equipe vencendo os dois turnos, paciência. Para quê final?
Os sacis colorados entraram para a história da Libertadores com justiça. Falta agora se igualarem ao Grêmio, pegando o Barcelona de... Ronaldinho, tricolor gaúcho.
Estou ansioso para ver essa outra final de ouro.

Thursday, August 10, 2006

Murici 1 x 2 Murici

Murici armou o time do Inter há três anos. Imprimiu força e personalidade a um time sem estrelas, carente de grandes títulos já há algum tempo. No ano passado, se não fosse o imbróglio suspeito envolvendo arbitragem e o apito inimigo de Márcio Rezende (de novo), o Colorado seria o atual campeão brasileiro.
Abel sempre teve personalidade forte, o que casou muito bem com a filosofia gaúcha de jogar futebol: raça com alguma técnica; força ao invés de firulas táticas.
O Inter jogou ontem como se no Beira-Rio estivesse e com a vantagem de não ver sua casa incendiada por Neros gremistas. Um jogo de alto nível de adrenalina, até para quem não torce para nenhum dos dois. Fabão vacilou e Sóbis, sobrou. Leandro foi de dedicação comovente e a zaga dos sacis, irrepreensível.
O São Paulo vai ter que se desdobrar se quiser conquistar o que agora parece inconquistável.
Já o Inter está próximo, bem próximo mesmo de tentar se igualar ao Grêmio do outro lado do mundo em dezembro, contra o Barcelona, provavelmente.
E o São Paulo que vá cuidar do Brasileiro, menor que uma Libertadores, mas nem por isso tão desimportante assim.
Da decisão, só um vencedor inconteste. Murici Ramalho.

Monday, July 24, 2006

TÉCNICO À ALTURA


Dunga começou mal. Muito mal. Tomou posse do mais importante cargo do país e concedeu entrevista exclusiva para a Rede Globo. Isso é péssimo. Os telejornais noturnos do SBT e da Band não mostraram nenhuma declaração ao vivo do novo técnico da seleção. Apenas deram a notícia. Isso é péssimo. O normal e correto seria conceder uma entrevista coletiva na sede da CBF, logo após seu nome ter sido anunciado. Concedeu à Globo mais que um privilégio, definiu sua linha de atuação. Está para sempre vinculado à poderosa Globo, detentora dos direitos de transmissão dos jogos da seleção, ostensiva parceira da CBF e, agora, a emissora que detém exclusividades, assim no plural, do novo técnico. Vamos mal, assim. Resta saber se as outras emissoras aceitarão essa desfeita, essa má conduta, como algo trivial. Se assim ocorrer, não estaremos mal, estaremos pior ainda. Dunga começou assumindo sua real estatura como técnico, ou melhor, nanotécnico. Espero queimar minha língua, meus dedos, tudo, e que uma boa seleção surja dessa merda toda.

Sunday, July 09, 2006

A EXPULSÃO DE MATERAZZI


Ficou faltando a expulsão de Materazzi. A imagem mostrou o encontrão entre Zidane e Materazzi em uma jogada de ataque da França - em um jogo de ataque contra defesa. Os dois trocam palavras... ou palavrões. Zidane se afasta e Materazzi continua gritando em sua direção. Zidane se afasta um pouco mais e Materazzi insiste em gritar em sua direção. De repente, Zizou se vira e volta na direção do adversário também dizendo coisas. E a absurda cabeçada acontece. Ao final do imbróglio, Zidane é expulso e Materazzi fica em campo, tratado como vítima pela torcida italiana e pelos comentaristas globais. Zidane sai execrado, vaiado, numa das maiores injustiças a que já assisti.
1) Zidane foi expulso por conta de confirmação do bandeirinha que, segundo a imprensa internacional, recebeu a informação do árbitro reserva que viu a cena em um aparelho de tevê. Ora, a Fifa proíbe o uso da imagem para decisão do árbitro. Portanto, a expulsão foi ilegal.
2) A agressão física em campo de bola resulta, quase sempre, de situações inevitáveis de jogo. A agressão moral, não. A ofensa moral parte de recônditos da alma, de características particulares do sujeito, jamais de uma situação ou por conta de estratégia de jogo. Não pode ser valorada. Foi o que fizeram em relação a Materazzi - o pobre comentarista da Globo, Bighouse, disse que Materazzi "conseguiu a expulsão de Zidane", como se fosse uma grandiosa, correta e legítima atitude, a do italiano, em ofender moralmente o francês.
3) Zidane não agiu de moto próprio, foi provocado. Zidane reagiu. E não se diga placidamente que o craque francês "perdeu a cabeça". Tenho pra mim que Zidane reagiu a uma ofensa moral das cabeludas.
4) Materazzi recusou-se a falar do assunto. Confessou, assim, sua culpa no episódio.
5) Zidane ainda não falou sobre o que aconteceu. Se não falar, ratificará de forma magistral sua condição de gentil-homem.
Materazzi teria que ser expulso junto com Zidane. Considero a ofensa moral mil vezes mais grave que uma cabeçada ou pontapé acima dos metatarsos.
O resultado final foi uma vitória pífia, sem demonstração de superioridade, com ares de duvidoso, um golpe de sorte, mais uma das injustiças do futebol. Mas é só o que penso.

ITÁLIA CAMPEÃ E SELEÇÃO DA COPA

A seleção italiana, de melhor campanha e melhor desempenho, merecidamente levantou o tetracampeonato e relativizou um pouco a hegemonia brasileira. Se o Brasil ganhasse essa Copa, aconteceria o mesmo que na Fórmula 1: predomínio da falta de graça e mesmice. Apesar da vitória italiana, a França, hoje, foi melhor, pelo menos até o momento em que o cavalheiro Zinedine Zidane perdeu a cabeça. Aí a Itália sobrou e só não ganhou o jogo porque não havia mais pernas. Eis a seleção da Copa, pelo que vi nesses 64 jogos: Buffon, Sagnol, Lúcio, Cannavaro e Zambrotta; Vieira, Maniche, Pirlo e Zidane; Klose e Podolski. Craques: Pirlo, Cannavaro e Zidane. Os três, cada um à sua maneira, se destacaram como os melhores jogadores deste mundial. Cannavaro (que deve ser o eleito da FIFA) pela regularidade de defender limpamente, com técnica; Pirlo pela ousadia de ser um volante habilidoso, que ataca, chuta em gol e serve passes precisos aos companheiros, e Zidane pelo talento em si, um dos poucos jogadores nesta Copa que sabiam o que fazer com a bola, apesar de sua fleuma, seu aparente descaso com a competição, não comemorando os gols e, ao fim, dando uma banana para tudo e todos, com a cabeçada no zagueiro italiano. Me parece que Zidane está cheio de jogar futebol. Cheio, inclusive, da canalhice que norteia jogadores, dirigentes e imprensa esportiva.

Wednesday, July 05, 2006

BOLA DENTRO, BOLA FORA


Aqui tudo é 100 por cento: Mayrant acertou a final entre os azuis e a azzurra; eu errei todos os palpites. E o Tom calou-se tão profundamente que tudo está a indicar que nosso terceiro atacante está imerso em mais uma história amorosa de Copa do Mundo que, certamente, nos relatará em 2010, uma bela data.

Não me canso de apanhar: aposto na França campeã. E que Felipão repetirá Oto Glória, sairá com o terceiro lugar desta Copa. Benza, Deus!

Prefiro quando a competição revela fortaleza e talento em seleção fora do grupo das campeãs. Acho até desestimulante - embora possa representar o contrário - que se repitam as mesmas seleções disputando o título, à exceção, é claro, do Brasil, só por conta do clima gostoso que toma conta da gente. Esta, está sendo uma Copa formal, com Portugal sendo uma manchinha de vinho tinto do Porto no champanhe do pódio. Muito pouco.

Nenhum novo craque se destacou nesta Copa. Isso é assunto para post futuro. Fim de safra? Letargia monetária? O clube é o espaço preferencial do craque? Cansaço, por conta do entre-temporadas?

2006, Alemanha: a Copa dos velhinhos Zidane, Lehman, Vieira, Canavarro, Nedved e Thuram. Supremacia da sabedoria dos mais velhos?

Por que estranharam a foto? É a Edna Velho, amigos!

Tuesday, July 04, 2006

A AZZURRA ZURROU GROSSO!


No início da Copa, dizia-se que o "grupo da morte" era o grupo de Argentina, Holanda, Sérvia e Montenegro e Costa do Marfim. De minha parte, sempre achei que o grupo da morte era este: Itália, República Tcheca, Gana e EUA. E tanto é verdade que a R. Tcheca, um time fortíssimo, acabou eliminada precocemente, enquanto que, em outros grupos, países como México (este parece ter comprado sua posição de cabeça de chave junto à FIFA) e Suécia, com campanhas sofríveis, se classificaram. Agora, o primeiro finalista vem exatamente daquele grupo, a Itália, após o feito invejável de hoje, batendo os donos-da-casa por 2 X 0 num estádio lotado de alemães e com toda a pressão do banco adversário sobre o juiz. A Itália pode até não se tornar campeã (afinal de contas os "azuis" vêm aí!), mas sua campanha já entrou para a história, em especial porque chegou à Copa quietinha, calada, desacreditada e cabisbaixa. Engano: ela estava apenas sondando suas possibilidades... Campanha da Itália:
2 X 0 Gana (Pirlo, Iaquinta)
1 X 1 EUA (Gilardino)
2 X 0 R. Tcheca (Materazzi, Inzaghi)
1 X 0 Austrália (Totti)
3 X 0 Ucrânia (Zambrotta, Luca Toni, 2)
2 X 0 Alemanha (Grosso, Del Piero)

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